terça-feira, 27 de setembro de 2022

Terça comum

 Terça Comum



Hoje é uma terça comum.

Sei disso porque ontem foi uma segunda comum e, provavelmente, amanhã vai ser uma quarta comum.

Isso não é nada muito relevante nem mesmo empolgante, mas é um fato. Não temos todos os dias fatos excitantes e capazes de serem marcados de forma indelével em nosso cérebro.

As vezes o máximo de nossa aventura diária será decidir tomar um café sem açúcar (sim tomo sem açúcar, não me julguem) e decidir entre os carboidratos no restaurante na hora do almoço.

Se pensarmos em dimensões cósmicas,..., melhor não, caso contrário entraremos em looping de poeira de estrela, finitude humana, etc....

Por necessidade e para não sermos sepultados por nossos próprios pensamentos, nossas memórias vão se esvaindo e as "escolhas" de recuperação vão depender de quanto elas nos deixaram sentir na sua formação, evocando cheiros, gostos, texturas, cores quando provocaram alegrias, tristezas, surpresas e qualquer efeito. As palavras chaves são Sentimento (emoção) e sentidos (percepção).

Mas existe uma curiosidade que quem já acompanhou o decaimento mental de outrem, seja por demência, alzheimer ou traumas, certamente já observou, que é a recuperação de memórias cotidianas.

Mesmo que embaralhadas, lembranças de uma rua, um riacho ou se o pai já chegou em casa para o jantar,  vão se reconstituindo e mostram quão relevante o comum é interessante.

O bom dia recebido na portaria e o comentário durante o cafezinho na lancheria (tão bom, o café lá é doce), são uma aventura sob o ponto de vista biológico e sensorial e vão vir a tona quando no futuro você estive em um diálogo casual com os seus. 

Falando nisso, Bom dia! Qual a sua aventura?

27/9/22dia comum



 




 



segunda-feira, 26 de setembro de 2022

 Suspiro da cachorrinha

🐕🐕🐕


Domingo a tarde, sentados no sofá, aquela agradável preguiça, olhos perdidos entre algum vídeo de Youtube ou leitura avulsa, e a nossa pequena Shitzu Mendi (grafamos assim, não sei se foi a melhor escolha) suspirou. 

Existem várias explicações para o suspiro, mas não me refiro aqui as cientificamente elaboradas e, portanto refutáveis,  falo daquelas que vem da metafísica e que vinculam o suspiro com a alma.

Pois foi naquele momento, mesmo não sendo alguém que tenha alguma fé, que pensei na versão bíblica que diz que Deus soprou nas narinas do ser inanimado, tornando barro em humanidade, lhe introduzido a alma, sendo então o suspiro uma manifestação desta.

Aquela nossa pequena companheira, debruçada no sofá, no período entre pequenas traquinagens e cumprimento de suas necessidades fisiológicas estabeleceu para mim que, ou alma não existe, ou todos as possuímos, mesmo aquele "serzinho" tido como (ir)racional.

Suspirou pois algum pensamento de amor ou felicidade, ou quem sabe uma tristeza ou melancolia, trespassou em seus pensamentos, algum fragmento de memória, algum fato  passado.

Não sei ao certo. Se não compreendo coisas como alma e amor, também desconheço sobre neurologia ou espasmos pulmonares.

Mas dentro as crenças possíveis, me apraz aquela que nos coloca em pé de igualdade com esse animalzinho que nos traz tanto conforto e afeto, em momentos que certamente, vão me provocar suspiros em breve.

(suspiro) 

p.s. Não achei onomatopéia para suspiro.

 

26/9/22



 




quinta-feira, 16 de janeiro de 2020


COMO UMA PEDRA

A dor da ferida,
Da perda, da ofensa.
Da agressão gratuita,
Ou proveniente de ódio criado

A guerra contida,
O ódio guardado,
O punho cerrado,
O golpe desferido ou não.

Tudo que vem da ação,
Não pode provocar dano
Tão profundo e permanente
 Quanto do silêncio

A indiferença constrói um muro
Fica rodeado de vazio
Intransponível
Foço repleto de quimeras

Refém da própria indiferença
Queria que ela jogasse
Apenas uma partida por vez
O jogo nunca termina

Não é ausência de importar-se
E sim  o fato de não conseguir compreender
Qual a razão, qual a importância
De estender 1 ou 10 anos

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Te AMO


Peço desculpas, sei que isso te insulta,
Não se pode nunca exigir de alguém
Que este aceite amor,
Não é justo, nem mesmo na reciprocidade,
Pois aprisiona e obriga, de forma não natural.


Penso em dizer de outra maneira
Mas seria apenas outro jeito de causar sofrimento
É embaraçoso e desconfortável,

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Sorriso


Sorriso


Eu queria contar, mas não posso,
Como dizer que já não tenho respostas,
Os dedos iniciam e escrevo as palavras,
Para em seguida apaga-las com pressa.

Já se perdeu o direito de ser fraco,
Não se pode ruir enquanto se é esteio,
Nem mesmo que avance a corrosão d’alma,
Pois o que seria daqueles que ali se socorrem do abismo.

O tempo age sem pudor, como aliado e adversário,
Seu termo cada vez mais perde distância
Mas a fadiga, ação do tempo sobre a persona
Comete seus flagelos de agudez certeira.

Os lábios então se calam,
Os pensamentos serão levados para um local ermo
Dentro o campo abstrato das ideias
Na esperança de que silenciem.

Sorriso ao rosto, palavras doces nos lábios,
E mesmo que dentro de si, tudo ao contrário seja dito,
Agir sempre de forma a ser suporte,
Para que aquele que sobre este repousa, saiba:
Vai dar tudo certo!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Sem poesia


Sem poesia


Não há mais espaço para a poesia,

Mas não tenho outros ouvidos

que eu possa revelar

minha tristeza,

Por ser catarse preciso dela,

Terei que abrir espaço a fórceps,

Parindo palavras cercadas de dor

mas cheias de vontade de viver.