sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Sorriso


Sorriso


Eu queria contar, mas não posso,
Como dizer que já não tenho respostas,
Os dedos iniciam e escrevo as palavras,
Para em seguida apaga-las com pressa.

Já se perdeu o direito de ser fraco,
Não se pode ruir enquanto se é esteio,
Nem mesmo que avance a corrosão d’alma,
Pois o que seria daqueles que ali se socorrem do abismo.

O tempo age sem pudor, como aliado e adversário,
Seu termo cada vez mais perde distância
Mas a fadiga, ação do tempo sobre a persona
Comete seus flagelos de agudez certeira.

Os lábios então se calam,
Os pensamentos serão levados para um local ermo
Dentro o campo abstrato das ideias
Na esperança de que silenciem.

Sorriso ao rosto, palavras doces nos lábios,
E mesmo que dentro de si, tudo ao contrário seja dito,
Agir sempre de forma a ser suporte,
Para que aquele que sobre este repousa, saiba:
Vai dar tudo certo!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Sem poesia


Sem poesia


Não há mais espaço para a poesia,

Mas não tenho outros ouvidos

que eu possa revelar

minha tristeza,

Por ser catarse preciso dela,

Terei que abrir espaço a fórceps,

Parindo palavras cercadas de dor

mas cheias de vontade de viver.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Estupidez



Estupidez


A minha relevância pouco importa,

O conjunto oferece ainda menos opulência,

Deixo escrito, porque o papel não julga, aprecia ou questiona,

Cumpre sua finalidade absorvendo os sentimentos pela tinta,

Ou da imagem pelos pixels,

Mas a dor, sim a Dor!

Esta senhora sim, é importante.

Pois é amiga da vida e da morte,

Faz para o vivo por vezes desejar a morte,

Ou lembrar da vida plena.

Sim, é diagnóstico e proteção contra toda a estupidez.


Nemo Tenetur se Detegere


quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Dor

Dor.



O silêncio.

O silêncio.

O silêncio!

Por que é tão ensurdecedor?

Por que dói tanto o que ele vem dizer?

Nem o som que vem da rua é capaz de afugentá-lo, nem mesmo se eu próprio cantar.

Te odeio, te amo, não sei viver contigo.

O silêncio nunca está quieto, nunca é indiferente, nunca nos priva de sua presença.

Repercute em meus tímpanos e terminações nervosas,

Provoca meus sentimentos que estão no escuro.

E eis que temos então, o escuro. O escuro!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Quando

Quando
Quando irei partir?
Quando deixarei de ter medo?
Quando acordarei cedo?
Quando ficarei acordado por mais tempo?
Não quero resposta breve
Nem algo que venha de qualquer jeito
Quero ouvir com o vagar do vento
Que seja lento, mas bom e duradouro.
Deve-se então preocupar,
Que os fundamentos sejam fortes,
Justificando todas as conclusões,
Com premissas, antes belas, do que verdadeiras.
De tal sorte que eu nesse dia queira,
Em resposta aos meus anseios,
Ser acariciado por tua voz em sofismas sem fim,
Mais aproveitando o caminho, do que terminando a jornada.
(Nemo Tenetur se Detegere)

Musica 1

A música sai, o violão tange, mas a voz não.
O que tenho a dizer deverá ser compreendido apenas pela melodia,
Não por escolha minha, mas em função do embargo à voz,
Que renitente repetia velha cantilena, sem se fazer entender,
Sem ter a mesma eficácia de tola e simples melodia,
Que em meu nome chora todas as minhas dores imaginárias,
Celebrando os problemas que eu mesmo criei ou transformei em quimeras,
Não que sejam mentiras, pois tenho que vencê-los,
Mas por crer que, apesar de sua falsa-existência, sejam capazes de produzir a infelicidade.
Nemo tenetur se detegere