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quarta-feira, 23 de novembro de 2022

 RETORNANDO DA VIAGEM



    As vezes saímos em viagem de passeio ou trabalho e não acontece nada de anormal, porém outras vezes não conseguimos retornar.

    Não, não se está falando em problemas mecânicos no carro, nem em mudança de endereço, mas sim do momento em que a pessoa que foi não existe mais, sendo que quem volta, apesar de ter o mesmo DNA e RG, já é uma pessoa nova.

    Essa transformação é menos mística ou metafísica, mas igualmente fantástica e intensa,  desvelando assim um nascimento sem parto, flores ou fraldas, onde a conta não fecha, ao menos no plano externo, pois desta reprodução não se verifica aumento da população, nela necessariamente onde nasce um, morre o outro.

    Não é necessário que a viagem seja demasiadamente longa ou em uma busca espiritual, a transformação não tem preferências, ela simplesmente ocorre.

    Mas embora não exista um parto, em verdade a dor não é menor, somando-se a dor da genitora a expulsar do seu ventre a nova vida, com a dor do nascido que luta para não deixar o ventre quente e confortável, para ter de enfrentar os sons e luzes de um mundo desconhecido.

    Não há garantia de evolução, apenas mudança, não procure sentido, melhoras ou novas perspectivas. O novo é diferente, mas não é uma página em branco, traz consigo a herança de memórias, desilusões e traumas, poderá, eventualmente, tentar fugir aquilo tudo que parece não mais lhe pertencer, ou melhor, aquilo tudo que lhe possuía.

    Somos possuídos pelas coisas que nos cercam, do sapato a calçada que caminhamos, sempre tendo dificuldade de abandoná-las.

     Não voltamos, mas as coisas voltam com aquele ser novo, que com o passar do tempo, fica cada vez mais parecido com o antigo.

     Não voltamos da viagem, mas o mundo é cíclico, e se perdemos o retorno em alguma oportunidade, não há certeza se não retornaremos em outra oportunidade.

23/11/22
    
       


quinta-feira, 16 de janeiro de 2020


COMO UMA PEDRA

A dor da ferida,
Da perda, da ofensa.
Da agressão gratuita,
Ou proveniente de ódio criado

A guerra contida,
O ódio guardado,
O punho cerrado,
O golpe desferido ou não.

Tudo que vem da ação,
Não pode provocar dano
Tão profundo e permanente
 Quanto do silêncio

A indiferença constrói um muro
Fica rodeado de vazio
Intransponível
Foço repleto de quimeras

Refém da própria indiferença
Queria que ela jogasse
Apenas uma partida por vez
O jogo nunca termina

Não é ausência de importar-se
E sim  o fato de não conseguir compreender
Qual a razão, qual a importância
De estender 1 ou 10 anos

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Sorriso


Sorriso


Eu queria contar, mas não posso,
Como dizer que já não tenho respostas,
Os dedos iniciam e escrevo as palavras,
Para em seguida apaga-las com pressa.

Já se perdeu o direito de ser fraco,
Não se pode ruir enquanto se é esteio,
Nem mesmo que avance a corrosão d’alma,
Pois o que seria daqueles que ali se socorrem do abismo.

O tempo age sem pudor, como aliado e adversário,
Seu termo cada vez mais perde distância
Mas a fadiga, ação do tempo sobre a persona
Comete seus flagelos de agudez certeira.

Os lábios então se calam,
Os pensamentos serão levados para um local ermo
Dentro o campo abstrato das ideias
Na esperança de que silenciem.

Sorriso ao rosto, palavras doces nos lábios,
E mesmo que dentro de si, tudo ao contrário seja dito,
Agir sempre de forma a ser suporte,
Para que aquele que sobre este repousa, saiba:
Vai dar tudo certo!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Dor

Dor.



O silêncio.

O silêncio.

O silêncio!

Por que é tão ensurdecedor?

Por que dói tanto o que ele vem dizer?

Nem o som que vem da rua é capaz de afugentá-lo, nem mesmo se eu próprio cantar.

Te odeio, te amo, não sei viver contigo.

O silêncio nunca está quieto, nunca é indiferente, nunca nos priva de sua presença.

Repercute em meus tímpanos e terminações nervosas,

Provoca meus sentimentos que estão no escuro.

E eis que temos então, o escuro. O escuro!