quinta-feira, 16 de janeiro de 2020


COMO UMA PEDRA

A dor da ferida,
Da perda, da ofensa.
Da agressão gratuita,
Ou proveniente de ódio criado

A guerra contida,
O ódio guardado,
O punho cerrado,
O golpe desferido ou não.

Tudo que vem da ação,
Não pode provocar dano
Tão profundo e permanente
 Quanto do silêncio

A indiferença constrói um muro
Fica rodeado de vazio
Intransponível
Foço repleto de quimeras

Refém da própria indiferença
Queria que ela jogasse
Apenas uma partida por vez
O jogo nunca termina

Não é ausência de importar-se
E sim  o fato de não conseguir compreender
Qual a razão, qual a importância
De estender 1 ou 10 anos

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Te AMO


Peço desculpas, sei que isso te insulta,
Não se pode nunca exigir de alguém
Que este aceite amor,
Não é justo, nem mesmo na reciprocidade,
Pois aprisiona e obriga, de forma não natural.


Penso em dizer de outra maneira
Mas seria apenas outro jeito de causar sofrimento
É embaraçoso e desconfortável,

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Sorriso


Sorriso


Eu queria contar, mas não posso,
Como dizer que já não tenho respostas,
Os dedos iniciam e escrevo as palavras,
Para em seguida apaga-las com pressa.

Já se perdeu o direito de ser fraco,
Não se pode ruir enquanto se é esteio,
Nem mesmo que avance a corrosão d’alma,
Pois o que seria daqueles que ali se socorrem do abismo.

O tempo age sem pudor, como aliado e adversário,
Seu termo cada vez mais perde distância
Mas a fadiga, ação do tempo sobre a persona
Comete seus flagelos de agudez certeira.

Os lábios então se calam,
Os pensamentos serão levados para um local ermo
Dentro o campo abstrato das ideias
Na esperança de que silenciem.

Sorriso ao rosto, palavras doces nos lábios,
E mesmo que dentro de si, tudo ao contrário seja dito,
Agir sempre de forma a ser suporte,
Para que aquele que sobre este repousa, saiba:
Vai dar tudo certo!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Sem poesia


Sem poesia


Não há mais espaço para a poesia,

Mas não tenho outros ouvidos

que eu possa revelar

minha tristeza,

Por ser catarse preciso dela,

Terei que abrir espaço a fórceps,

Parindo palavras cercadas de dor

mas cheias de vontade de viver.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Estupidez



Estupidez


A minha relevância pouco importa,

O conjunto oferece ainda menos opulência,

Deixo escrito, porque o papel não julga, aprecia ou questiona,

Cumpre sua finalidade absorvendo os sentimentos pela tinta,

Ou da imagem pelos pixels,

Mas a dor, sim a Dor!

Esta senhora sim, é importante.

Pois é amiga da vida e da morte,

Faz para o vivo por vezes desejar a morte,

Ou lembrar da vida plena.

Sim, é diagnóstico e proteção contra toda a estupidez.


Nemo Tenetur se Detegere


quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Dor

Dor.



O silêncio.

O silêncio.

O silêncio!

Por que é tão ensurdecedor?

Por que dói tanto o que ele vem dizer?

Nem o som que vem da rua é capaz de afugentá-lo, nem mesmo se eu próprio cantar.

Te odeio, te amo, não sei viver contigo.

O silêncio nunca está quieto, nunca é indiferente, nunca nos priva de sua presença.

Repercute em meus tímpanos e terminações nervosas,

Provoca meus sentimentos que estão no escuro.

E eis que temos então, o escuro. O escuro!